Maletas descobertas.
Às minhas costas malas abertas. Espalhadas dentro delas todas as peças que uso para vestir-me, e alguns utensílios básicos. Espalhados à mostra de quem quisesse vê-los, vulneráveis. Então eu paro confusa em um canto qualquer, de malas abertas. Ninguém se interessa em olhá-las. Espantoso, visto que o mundo anda tão invasivo e tornou-se primordial aos outros mostrar todo o tipo de escória alheia. Há algumas peças defeituosas, umas camisas tortas, algumas calças largas demais, mas nem assim despiram os olhares às maletas. Meio sem rumo e ainda confusa não sabendo para onde ir apresentei-me. Afinal, decidi abrir a bagagem naquela estação do nada. Nada havia ali, nenhum ônibus, nenhum destino, nenhum perigo, nenhuma alma. Apenas um vento amigo que soprava aos cabelos. Mirei as bagagens e fechei os olhos. Analisei-me internamente, talvez ali no cosmos infinito do meu eu estivesse algum manuscrito de endereço para o qual seguir. Estava certa. Hav...